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sábado, 1 de dezembro de 2012

Capital da paixão: o ativo mais valioso das empresas




Se perguntar a um investidor: “Qual é o seu capital mais valioso?”
Provavelmente ele irá escolher uma das três respostas mais comum entre os empreendedores: o capital financeiro, o humano ou o intelectual. Para Paul Alofs tais respostas são consideradas erradas, já que o ativo mais importante para uma empresa, segundo o autor do livro Passion Capital – The World’s Most Valuable Asset, deve ser a paixão.
Alofs defende a tese de que a paixão no mundo empresarial se entende como um ativo: o capital da paixão. Algumas empresas são exemplos da teoria de Alofs, como a Apple, o Cirque Du Soleil, a Johnson & Johnson, a Google, a Ford e a Pixar.
Trata-se de um conceito que Alofs sintetiza na fórmula Passion Capital = Energy + Intensity + Sustainability. Isto é, este capital é a “energia, a intensidade e a sustentabilidade que os líderes utilizam para construir valor durável”. Um líder que segue esta premissa, um capitalista da paixão, impulsiona a mudança no seu  meio, na sua carreira, organização, causa e até mesmo no seu país.
O autor, que é um líder nato, reconhecido gestor, galardoado com vários prêmios de inovação, gestão e marketing, já teve ao seu cargo as 500 lojas da Disney dos E.U.A e as lojas de música das marcas HMV e BMG. Alofs aprendeu os princípios para o sucesso das organizações que, diz, são a base deste capital que é a paixão.
Enumera alguns princípios:
O poder da crença
Ter credo é o primeiro passo da filosofia de Paul Alofs. Definir uma crença e manifestá-la sob forma de credo pode ser uma ferramenta poderosa para uma organização e vai muito além da visão e missão, consideradas atualmente indispensáveis. “Acreditamos que a nossa primeira responsabilidade é para os médicos, enfermeiros e pacientes, mães e pais e todos os utilizadores dos nossos produtos e serviços”. Começa assim o credo da Johnson & Johnson, que impressionou Paul Alofs quando, em 2009, encontrou-o afixado nos escritórios da empresa em Toronto. Formulado em 1943, o credo da Johnson & Johnson formula a última responsabilidade do acionista. Com a qualidade, a manutenção de preços razoáveis e a responsabilidade social para com os fornecedores entre outras prioridades do credo, este documento contribuiu para o sucesso da empresa, defende Alofs. O autor conta como os colaboradores lhe falaram com entusiasmo sobre aquele texto, premissas enraizadas na cultura, orientando toda a atividade.
Alimentar essa crença é tão importante quanto tê-la. É a função da cultura organizacional, o solo fértil para fazer crescer em cada membro da empresa os valores presentes do credo. Ter os colaboradores certos, pessoas dedicadas e comprometidas, é fundmental.
Arriscar a ganhar
A coragem para arriscar é um dos fundamentos do capital da paixão. Alofs diz que um credo só ganha força depois de ser testado e a coragem é fulcral nesses momentos. Enquanto a capacidade de ultrapassar o medo, a coragem manifesta-se em vários momentos – enfrentar os concorrentes ou os superiores, por exemplo. Enfrentar o medo de falhar marca o sucesso de um projeto; a coragem é, segundo o autor, a alma do capital da paixão.
Consiste em enfrentar riscos bem-sucedidos, como fez Mick Jaegger quando decidiu abandonar a London School of Economics para formar a banda que viria a ser uma das maiores da história do rock, conta o autor. Através de momentos destes, que empresas globais de maior sucesso conseguiram construir a sua marca.  Torna-se também uma expectativa, aquilo que os consumidores esperam que a empresa lhes traga, uma promessa de qualidade e desempenho. A marca tem na base o credo, a cultura e a coragem.
Angariar recursos e planejar estratégias
Conseguir reunir recursos financeiros parece ser a preocupação das convenções de muitos empreendedores e empresas. Porém, outros meios também são importantes para a organização, e é a junção dos recursos financeiros, dos humanos e tecnológicos que atrai dinheiro. Estes são ativos que alimentam o crescimento e o desempenho da empresa e desenvolvem um papel central no capital da paixão. Só uma empresa organizada, com seus melhores recursos devidamente alocados, no local certo e no momento exato, consegue aproveitar o máximo de seu potencial.
Insistir e persistir 
Se o plano falha na primeira tentativa, o conselho de Paul Alofs é simples: continue tentando. Ao longo das lições, o autor recupera a sua experiência pessoal, no mundo da música e da luta contra o câncer (foi administrador de hospital). Os avanços nesta área da medicina foram alcançados pela persistência, um poder de insistir após a falha.
Como nos negócios, a persistência é motivada pela crença num objetivo final, razão pela qual o escritor a equipara ao coração do capital da paixão. “A persistência nasce na crença e no auto-sacrifício, frequentemente ao serviço de um bem maior”.

Citações-princípios recomendadas por Paul Alofs:

As ações de um homem são apenas o retrato de seu credo (Arthur Helps);

"O sucesso não é final, o fracasso não é fatal: é a coragem para continuar que conta" (Winston Churchill);

A marca está para a empresa como a reputação para a pessoa. Ganha-se reputação pro tentar fazer bem as coisas (Jeff Bezos);

O dinheiro cresce na árvore da persistência (Provérbio Japonês).

Texto adaptado da matéria “O activo mais valioso das empresas”, assinado por Filipa Moreno, publicado na Revista Executive Digest, setembro de 2012, Portugal.

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