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sábado, 14 de julho de 2012

Evolução histórica da empresa familiar à Sociedade Anônima (breve síntese)



O Capitalismo patrimonial ou familiar manifesta-se no início do Séc. XIX até aos anos 1920. A empresa é considerada como o patrimônio de uma família ou de um grupo de proprietários fortemente implicados no seu desenvolvimento e gestão. Há uma forte identidade entre a propriedade e a gestão, não se colocando a questão do controle dos gestores (ou administradores). A forma jurídica dominante é a sociedade em comandita, onde o administrador é pessoalmente responsável pelos resultados da empresa. Esta forma de empresa capta bem o espírito do capitalismo: o empresário assume um risco, tirando daí todas as consequências. É ao mesmo tempo proprietário e administrador. O governo das empresas é familiar, no verdadeiro sentido do termo, tem por base a fidelidade, relações de longo prazo e é caucionado pelas partes interessadas.
Com o crescimento das empresas, torna-se mais difícil a um indivíduo, a uma família ou a um pequeno grupo de pessoas assumirem sozinhos todos os riscos. A gestão dessas empresas também se torna mais complexa, com o aumento da sua dimensão. Aparecem então os especialistas da gestão: os administradores. Ao mesmo tempo, o capital das empresas é aberto a elementos de fora das famílias, originando uma nova forma jurídica de empresa: a sociedade anônima. Os acionistas não são mais os empreendedores de outrora. São indivíduos anônimos que investem o seu patrimônio, fazendo com que os administradores sejam úteis. Estes são, eles próprios assalariados, tecnocratas da gestão mais do que empreendedores, no sentido etimológico do termo. Daí, o chamado “capitalismo tecnocrático”, na expressão de Gomez (2003, apud Rodrigues, 2008).
Com efeito, com o surgimento da globalização dos mercados financeiros, a partir dos anos 1970, emerge o capitalismo das massas (Gomez, 2003, apud Rodrigues, 2008) ou o capitalismo institucional (Windolf, 1999, apud Rodrigues, 2008). Esta denominação está associada à proliferaçãodas instituições financeiras, às novas modalidades de controle financeiro e à reconcentração acionista. As sociedades participam mutuamente no capital uma das outras e os novos proprietários não são indivíduos ou famílias, mas organizações (investidores institucionais), cujos objetivos e procesos de tomada de decisão os distinguem dos indivíduos (Windolf, 1999, apud Rodrigues, 2008).
Portanto, com a evolução da empresa familiar à constituição das sociedades anônimas, a característica marcante foi nomeadamente pelo aparecimento dos administradores como parte do processo de racionalização das empresas. Viveu-se nos anos após a Segunda Grande Guerra, décadas de prosperidade, e assistiu-se à glorificação, pelo pensamento econômico, do primado da gestão, ou seja, das competências das empresas – consubstanciando na proeminência das empresas por ações, onde os gestores controlam a atribuição dos recursos, sem a interferência dos acionistas ou dos trabalhadores (Lazonick et O'Sullivan, 2001, apud Rodrigues, 2008) – por oposição à miopia dos acionistas. Contudo, após os escândalos empresariais (ou corporativos) da década de 1970, surgiu um novo prisma no que diz respeito à "pressão social" sobre os administradores e sobre a responsabilidade social da empresa - o denominado corporate governance (de origem anglo-americana) [veremos nas próximas publicações].

7 comentários:

  1. Realmente muito bom.

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  2. Enhorabuena, articulo muy interesante.

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    1. Muchas gracias, amigo(a)por su lectura. Un cordial saludo!

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  3. Ola Fabio,
    o texto escrito esta muito interessante, estou aguardando a proxima publicação,
    saudações de Foz do Iguaçu -
    academico de direito - UNIFOZ.

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    1. Obrigado pela leitura!
      Pois é por vocês que dedicamos este trabalho.
      Quaisquer dúvidas ou sugestões, esteja a vontade para questionar.
      Abçs.

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  4. Fabio, parabéns pelo artigo. Poderia incluir as referências bibliográficas?

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